Sobre uma Tarde de Sábado, Assexualidade e Liberdade

Este provavelmente é o texto que mais venho adiando escrever na minha vida (uma semana – ou 31 anos quem sabe), mas tudo uma hora tem que ser posto para fora ou irá te consumir.

Eu pouco saio de casa e mesmo quando faço vários planos e marque um dia para sair normalmente eu acabo me dando alguma desculpa e ficando em casa mesmo (como moro sozinho e quase sempre meus planos não envolvem outras pessoas, fica bem fácil desfazer-los). Porém esse sábado que passou eu disse a mim mesmo; Hoje sem desculpas, vou sair, não vou ficar o sábado em casa. Só assim mesmo para eu sair, sendo arrastado para fora por uma força interior que impede que eu crie escaras em casa.

Eu vi que a 33 Bienal de Arte de São Paulo estava aberta ao público e de graça durante a semana e como um grande fã de arte (mesmo sendo, praticamente, leigo no assunto) não podia perder o evento e sabia que não podia adiar minha visita pois ia acabar perdendo e me culpando por meses. Além da bienal havia uma outra questão que precisava ser resolvida, essa mais interna, porém que não podia mais ser adiada.

Há algum tempo (um ano talvez), em um app bem aleatório que nem faço uso mais, eu tive contato com uma palavra que nunca havia ouvido falar; demissexual. Como pessoa curiosa que sou fui buscar o significado, li um pouco sobre o assunto, porém deixei para lá, como algo aleatório da vida. Porém aquele tema ficou na minha cabeça, lá no fundo, só esperando eu uma hora ter um estalo e perceber.

Gostaria muito de descrever esse estalo a quem lê, porém não me lembro com clareza dele (algo me diz que eu estava bêbado nesse momento), porém há cerca de um mês comecei uma pesquisa um pouco mais extensa sobre demissexualidade e assexualidade e após ouvir alguns relatos e ler muito sobre o assunto consegui finalmente admitir essa verdade para mim mesmo; eu sou assexual.

Assim como eu gostaria de descrever o meu estalo a vocês eu gostaria, sinceramente, de por em palavras a sensação de libertação que isso me causou, pois no momento que eu assumi isso a mim mesmo senti como se várias correntes que me puxavam para o chão finalmente tivessem se soltado do meu corpo. Me senti livre, solto das amarras sociais, em um estado plenitude que poucas vezes na vida tive o prazer de estar.

Me lembro a sensação de sair pela primeira vez com essa certeza. Não precisava me preocupar em como as pessoas me viam (“quem sabe eu não conheço alguém e essa pessoa finalmente possa a vir a ser minha namorada e eu – Finalmente! – possa me encaixar nesse padrão social). Não precisava olhar para as mulheres que passavam (pois é isso que homens fazem) ou até mesmo pensar em “quem sabe não role uma química e ela vá a minha casa – que eu limpei antes de sair – para um sexo casual” mesmo na minha cabeça sexo casual ser um completo absurdo (aliás nada contra, faça o que você quiser e seja quem você quer ser). Eu só precisava sair, fazer o que eu queria fazer e voltar sem qualquer culpa ou sensação de derrota.

Falar com mulheres sem ter a obrigação de ser um macho sedutor (coisa que nunca tive talento) era algo tão pequeno e tão incrível que sentia uma vontade quase infantil de contar ao mundo essa minha nova descoberta pessoal. Obviamente que não tinha essa coragem (afinal eram 31 anos mostrando a todos uma vida heterossexual plena e feliz – mesmo que tenha transado com duas mulheres a vida toda, nunca ter tido um relacionamento e estar a 12 anos sem transar – mas afinal quem sabe disso não é mesmo?), aliás esse texto está no meu blog, onde somente escrevo usando pseudônimos.

Mas eu sentia essa vontade de mostrar ao mundo essa minha faceta e sabia que teria que ser algo aos poucos, num ritmo onde pudesse ter algum conforto. Sendo assim decidi passar minha tarde de sábado visitando o Bienal e o Parque do Ibirapuera (a Bienal fica dentro do parque) com minha nova aquisição; uma camiseta com as cores da bandeira do orgulho assexual e os escritos “ace of spades”. Era mais uma brincadeira com o resto das pessoas, afinal poucos conhecem o significado dessas cores (piorou da frase escrita) e fiquei até curioso para ver se alguém perceberia (spoiler alert: ninguém percebeu – minto, acho que uma menina entendeu, mas eu dei uma risada e sai do campo de visão dela).

Apesar disso tudo acho que quem acabou cruzando comigo naquele fatídico dia, se viu diante de alguém com misto de emoções que iam de desconforto e medo a alegria e entusiasmo (a alegria e o entusiasmo provavelmente devido a bienal em si, pois só de imaginar que alguém pudesse desconfiar do que se tratava minha camiseta, sentia que precisaria cavar um buraco para enterrar minha cabeça – vai entender o ser humano).

Voltei para a casa (a Bienal estava lindíssima – se estiver em SP até o dia 9/12/2018, vá vê-la) e por mais pueril que seja, senti que havia dado um passo rumo a minha aceitação. Sinceramente não sei se um dia todos a minha volta irão saber disso, pouco sei como será essa minha caminhada daqui para frente, mas nesse momento me importo muito mais com eu me aceitar do que com qualquer outra pessoa me aceitar. Não eu não me importo com sexo, porém, apesar disso, sou como qualquer pessoa. Não sou melhor ou pior que qualquer um dia e até gostaria um dia de estar em um relacionamento, porém nasci com esse pequeno diferencial que preciso admitir (pelo menos a mim mesmo) e lidar.

Vou deixar alguns links abaixo para quem se interessar pelo assunto. E enfim para quem chegou até aqui eu só tenho a agradecer pois o fato de você ler isso ajudou demais nesse meu processo de aceitação. Um abraço e e obrigado pela visita!

Luis Henrique

Links para os curiosos:

https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,assexualidade-pouco-discutida-mais-comum-do-que-se-imagina,70002028481

https://www.buzzfeed.com/julianakataoka/coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-pessoas-assexuais

http://arevistadamulher.com.br/sexo/content/2447705-demissexualidade-conheca-a-orientacao-de-quem-so-atrai-por-alguem-apos-conhece-lo

http://assexualidadebrasil.blogspot.com/2016/10/Orientacoes-Assexuais.html

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Águas

Águas (1)

 

Águas que matam a sede

Que rolam dos rostos dos que sofrem

Que cai dos céus nas tempestades de Iansã

Ou nas chuvas finas de Oxumarê

 

Águas que apagam as chamas descontroladas

Águas que salvam vidas

Que batem nas pedras

Das ondas dos mares de Mãe Iemanjá

 

Águas cristalinas

Águas turvas

Águas puras

Que corem pelo rio de Mamãe Oxum

 

Águas da Cachoeira

Das lagoas e lagos

Águas dos poços

E do mangue da Grande Mãe Nanã

 

João Francisco

Contemplação do Defunto

O sopro da morte esfria meus lábios

Treme meu corpo pela febril septicemia

Deusa de brancos ossos e olhos cálidos

Sinto esvair de meu corpo o resto de vida

 

Meu corpo lentamente esfria

A dor lentamente desaparece

Em seus olhos a morte sorria

“Pobre defunto que padece”

 

Ó doce morte

Que tanto me fascina

Leve-me das dores da vida

 

Morte piedosa

Deusa do profano cemitério

Leve esse pobre maldito ao inferno!

 

L.

 

Quadro-morte com Bordas Roxas

Bem faz tempo que não posto nada por aqui pois estou com meu PC quebrado faz um tempo e não tomo qualquer atitude para arrumar. Com isso acabei perdendo a vontade de criar alguma coisa ou mesmo de entrar no blog para visitar meus amigos escritores (e estou com a impressão que perdi muita coisa – inspiração em especial). Fiz algumas coisas no smartphone, mas nada que eu achasse legal de postar aqui, porém essa achei interessante. Espero que gostem!

Linx

Sem Título 1, 2 e 3

Hoje me deu vontade de passar por aqui, ler o que o povo escreveu e dar uma atualizada no meu blog (sim hoje pois ando extremamente preguiçoso por esses dias), porém, como já dito, a preguiça me dominou de uma forma plena e absoluta e com isso não tenho um texto novo para postar. Sendo assim vou postar algo que só costumo postar no meu Instagram que são pinturas digitais. Elas não tem título e são apenas numeradas e as que se seguem estão em ordem. Espero que gostem! (na verdade não espero não, pois são bem amadoras, mas enfim animação! rs)Sem título 1Sem Titulo 2Sem Título 3